I'm a freelance illustrator from Brazil based in Berlin and working for children's books and animation.
 

Sou Ciça Camargo. Brasileira.

Bailarina e artista plástica. Trabalhei e estudei em São Paulo, Argentina, Dinamarca. Hoje vivo em Berlin, com meu marido, companheiro, arquiteto, nossa “cachorrinhona” Greta, muitas plantas, música e seres inventados!

Como bailarina, trabalhei dançando e performando em companhias de ballet, contemporâneo e tango. Participando de vários projetos, festivais e espetáculos. Fazendo do palco a minha casa, e do movimento minha expressão.

Fui também protagonista do filme “Mas Tango” de Anja Hansmann e Sebastian Schnabel.      http://mas-tango.com

Como artista plástica sou graduada pela academia de Finas Artes da FAAP. (Fundação Armando Alvares Penteado).

Fiz exibições individuais e coletivas em São Paulo e Berlim.

Transito por diferentes mídias, buscando traduzir meu mundo, muitas vezes poético, cômico e por que não trágico também.

Adoro trabalhar com diferentes materiais e técnicas, misturando texturas, tecidos, papéis, fotos, videos, photoshop e muitas cores.

Mas bem antes de tudo isso acontecer, ainda no colo de meu pai, escutando as fantásticas histórias de Lobato eu sonhava em participar daquele mundo mágico de alguma maneira….

Assim, decidi seguir mais um sonho, o de ser ilustradora de livros infantis! Me arriscando até a escrever minhas próprias histórias.

Atualmente, recebi um convite para ilustrar uma série de histórias bilíngues para crianças, da fantástica escritora Nara Vidal.

Cada vez em que começo um desenho/projeto novo é como criar uma nova coreografia, buscar o equilibrio e a surpresa necessária para que as cores, formas, linhas, dancem conforme o texto, ora em um mesmo sentido, ora em outro, brincando com as dissonâncias e os contrapontos da fantasia. 

27  ciça camargo - aquarelas,

 

 

 

 

MEMÓRIAS

Na rua Camargo de Oliveira, depois da estradinha,

do córrego, da porteira, no numero 36,

viveu minha família.

Com terra enlameada e nuvem carneirinho,

luz fraca na calçada e canto de passarinho.

Na casinha ensolarada no quintal de meu avô,

aconteciam coisas e mais coisas que só Alice via.

Assustadoras criaturas, sombras criativas,

sapatos crispados e seres escondidos bem guardados.

Borboletas amarelas de tricô sobre a mesa bagunçada,

algum segredo costurado, dentro do livro um marcador.

Marcada pela vida, sabedoria recolhida

um coração, baú de amor.

Alice quando não via, dormia e na pausa do sono,

quando embaixo dessa mesa ou

lá fora na porteira, Alice ia e vinha, era arteira.

Esperta com cara de fome se esgueirava na cozinha,

com sorte até encontrava alguma migalhinha.

Sem palavras e com talento pulava, se contorcia,

ninguém via e ela entrava onde não devia.

Na vendinha do seu Chico, do outro lado da casinha,

minha avó sempre queria:

- Traga pato, agulha e linha, sabão-campeão e abobrinha.

- O pão! Quase esquecia.

O jornal, Alice era quem trazia.

Quando chovia a água limpava a vidraça,

Alice sujava, que pirraça!

Lama trazia, vovó franzia.

Ameaçava atirar o tamanco, que nunca nunca saia.

Nessa rua cresci, casinha, família aprendi

amar, respeitar, criar e pensar.

Tempo passou, tempo existiu, cresceu e a família partiu.

Alice? Alice dormiu.

Filomena de Camargo

 Ciça Camargo